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Origem de Rio das Ostras: do Rio Leripe dos jesuítas à cidade que mais cresceu na região

Do sambaqui de 4 mil anos ao Rio Leripe dos jesuítas, à emancipação de 1992 e ao boom do petróleo: a origem de Rio das Ostras, com fontes oficiais.

Por Redação Camadas do Brasil

Publicado em 21 de outubro de 2026

Atualizado em 21 de outubro de 2026

Grande escultura de baleia-jubarte saltando sobre pedras, com a cauda erguida, na Praça da Baleia, em Rio das Ostras

Escultura de baleia-jubarte na Praça da Baleia, em Costa Azul, obra de Roberto de Sá e Clara Arthaud. Foto: Thiago Freitas / MTur Destinos, 2018 (domínio público).

Série Origem das Cidades — Região dos Lagos · Município: Rio das Ostras (RJ)

O nome já conta a história: antes de ser Rio das Ostras, o rio que corta a cidade se chamava Leripe — “lugar de ostra”, em tupi, segundo o histórico municipal registrado pelo IBGE. Há 4 mil anos, povos pescadores deixaram ali um sambaqui; no século XVII, jesuítas marcaram as terras com pedras; em 1847, D. Pedro II descansou à sombra de uma figueira. Emancipada só em 1992, Rio das Ostras multiplicou sua população com o petróleo de Macaé e virou uma das maiores cidades do litoral fluminense.

Uma cidade entre a lagoa e o petróleo

Rio das Ostras fica na Costa do Sol, entre Casimiro de Abreu e Macaé. Para o IBGE, pertence à microrregião da Bacia de São João — mas, para quem viaja, é parte da paisagem de praias que se estende da Região dos Lagos até o norte fluminense.

A cidade tem camadas que vão da pré-história ao século XXI: um sambaqui com sepultamentos, marcos jesuíticos, um poço colonial à beira-mar, um arraial de tropeiros e, nas últimas décadas, um dos crescimentos populacionais mais rápidos do estado.

Origem do nome

Segundo o IBGE, a localidade se chamava Leripe — ou Seripe —, palavra que, em tupi, significaria “lugar de ostra”. O documento de formação administrativa associa o termo a um grande molusco. Com o tempo, o nome indígena foi traduzido para o português: Rio das Ostras. Não há registro da data exata dessa troca.

No século XIX, o arraial também ficou conhecido como Baía Formosa. Quem nasce ali é chamado de riostrense, segundo o IBGE Cidades — a forma “rio-ostrense” aparece em outro documento do instituto.

Povos originários e período pré-colonial

A ocupação humana é muito antiga. O Sambaqui da Tarioba, um monte de conchas formado por povos pescadores e coletores, foi ocupado por cerca de 550 anos, entre aproximadamente 4.070 e 3.520 anos antes do presente, segundo datações por carbono-14 publicadas por Felipe Rodrigues e colegas na revista Check List, em 2016. O sítio abriga hoje um museu, com sepultamentos expostos no próprio local da escavação.

Esqueleto humano de um sepultamento pré-histórico exposto sob vidro no Museu de Sítio Arqueológico da Tarioba
Sepultamento exposto no Museu de Sítio Arqueológico da Tarioba, um sambaqui ocupado há cerca de 4 mil anos. Foto: Thiago Freitas / MTur Destinos, 2018 (domínio público).

Quando os europeus chegaram, a região era habitada por tamoios e goitacás, segundo o IBGE. O documento afirma que a história escrita do lugar começa por volta de 1575, a partir de relatos de navegadores.

Povoamento e fundação histórica

1630: a sesmaria dos jesuítas

Em 20 de novembro de 1630, o capitão-mor governador Martim Correia de Sá doou aos jesuítas uma faixa de terras que incluía a área de Rio das Ostras. Segundo o IBGE, ela foi delimitada por dois marcos de pedra — chamados de pitomas — com a insígnia da Companhia de Jesus: um em Itapebussus e outro na barreta do Rio Leripe.

Poço, igreja e cemitério

Os jesuítas foram responsáveis pelas primeiras construções: o Poço de Pedras do Largo de Nossa Senhora da Conceição, a antiga igreja e o cemitério, erguidos com trabalho de indígenas e de pessoas escravizadas. Com a expulsão da Companhia de Jesus, em 1759, a igreja foi concluída no fim do século XVIII, provavelmente por beneditinos e carmelitas. O templo desabou na década de 1950, sem deixar ruínas, e uma nova igreja foi construída na década seguinte, perto do local original.

O arraial de Baía Formosa

No século XIX, o arraial cresceu em torno da igreja e do poço, de onde jorrava água pura à beira-mar. Era rota de tropeiros e comerciantes a caminho de Macaé e Campos, e chegou a ter internatos masculino e feminino, um Grande Hotel e um posto da polícia provincial, segundo o IBGE.

Povoamento não é emancipação

Apesar da ocupação antiga, Rio das Ostras só ganhou existência administrativa própria no século XX: distrito em 1970, município em 1992. Até então, pertenceu ao distrito de Barra de São João, no município de Casimiro de Abreu.

Emancipação política e legislação

De acordo com a formação administrativa registrada pelo IBGE:

  • Decreto-lei nº 225, de 01/03/1970: cria o distrito de Rio das Ostras, desmembrado do distrito de Barra de São João, no município de Casimiro de Abreu;
  • Lei estadual nº 1.984, de 10/04/1992: eleva o distrito a município, desmembrado de Casimiro de Abreu;
  • Instalação: 1º de janeiro de 1993;
  • Lei estadual nº 2.122, de 07/06/1993: altera a redação do artigo 2º da lei de criação.

O aniversário da cidade, 10 de abril, lembra a data da lei de emancipação.

Transformação ao longo do tempo

Da pesca ao turismo

Até meados do século XX, a pesca sustentou a economia local. A construção da Rodovia Amaral Peixoto e a expansão turística da Região dos Lagos trouxeram veranistas e loteamentos, segundo o IBGE.

A cidade-dormitório do petróleo

A grande virada veio com a instalação da Petrobras na região e com a exploração de petróleo na Bacia de Campos, a partir de Macaé. Segundo dissertação da PUC-Rio, o custo alto da moradia em Macaé levou muitos trabalhadores a viver em cidades vizinhas, principalmente em Rio das Ostras, que também passou a receber royalties do petróleo.

Os números impressionam. A cidade tinha cerca de 19 mil habitantes na época da emancipação, segundo a mesma pesquisa, e 36.419 no Censo de 2000. Em 2022, o IBGE contou 156.491 — mais de quatro vezes a população de 2000. O salário médio dos trabalhadores formais, de 3,6 salários mínimos, fica bem acima do registrado nos vizinhos da Região dos Lagos.

População e raio-x atual

  • População (Censo IBGE 2022): 156.491 habitantes;
  • População estimada (IBGE, 2025): 168.455 habitantes;
  • Área territorial (IBGE, 2025): 228,044 km²;
  • Densidade demográfica (2022): 686,23 hab/km² — a 13ª maior do estado;
  • Salário médio dos trabalhadores formais (2023): 3,6 salários mínimos;
  • Gentílico: riostrense · Aniversário: 10 de abril.

Rio das Ostras é o 21º município mais populoso do estado e o maior da Bacia de São João.

Principais pontos turísticos e suas histórias

Praça da Baleia

No bairro de Costa Azul, a praça tem como peça central uma grande escultura de baleia-jubarte, obra de Roberto de Sá e Clara Arthaud, segundo material da prefeitura. O mesmo material registra uma obra em bronze chamada “Baleia Jubarte e o mergulhador”, de 2001 — e, de fato, a figura de um mergulhador aparece junto à baleia. A praça se tornou um dos cartões-postais da cidade.

Placa azul em forma de baleia com o nome Praça da Baleia, em Rio das Ostras
A placa em forma de baleia que identifica a praça. Foto: Thiago Freitas / MTur Destinos, 2018 (domínio público).

Poço de Pedras e o centro histórico

O poço atribuído aos jesuítas segue no largo à beira-mar, acompanhado de esculturas de uma antiga moradora tirando água, uma menina e um cachorro. É o ponto mais antigo do núcleo urbano, ao lado da igreja de Nossa Senhora da Conceição.

Esculturas de bronze de uma moradora tirando água, uma menina e um cachorro junto ao antigo Poço de Pedras, à beira-mar em Rio das Ostras
O Poço de Pedras, construção atribuída aos jesuítas, com esculturas que homenageiam antigos moradores. Foto: Thiago Freitas / MTur Destinos, 2018 (domínio público).

Museu de Sítio Arqueológico da Tarioba

O museu foi montado sobre o próprio sambaqui. Os visitantes veem camadas de conchas, artefatos e sepultamentos de povos que viveram ali há cerca de 4 mil anos.

Casa de Cultura Doutor Bento Costa Júnior

A Casa de Cultura reúne móveis, fotografias e objetos que ajudam a contar a história da cidade antes da expansão urbana.

Sala interna da Casa de Cultura Doutor Bento Costa Júnior, com piano, móveis antigos e retratos nas paredes
Interior da Casa de Cultura Doutor Bento Costa Júnior. Foto: Thiago Freitas / MTur Destinos, 2018 (domínio público).

Boca da Barra e a figueira

Na foz do rio, a Praia da Boca da Barra reúne barcos de pesca e um dos entardeceres mais conhecidos da cidade. Perto dali fica a figueira centenária à beira-mar onde, segundo o IBGE, D. Pedro II descansou em 1847.

Pôr do sol sobre o mar na Praia da Boca da Barra, com barcos ancorados e um píer ao fundo
Entardecer na Boca da Barra, junto à foz do Rio das Ostras. Foto: Thiago Freitas / MTur Destinos, 2018 (domínio público).

Curiosidades historicamente verificadas

Um imperador à sombra da figueira

Em 1847, D. Pedro II passou por Rio das Ostras e descansou à sombra de uma figueira à beira-mar, depois de ser recebido com bandas de música e folguedos, segundo os jornais da época citados pelo IBGE.

Marcos de pedra jesuíticos

As terras doadas aos jesuítas em 1630 foram demarcadas com dois marcos de pedra, as pitomas, com a insígnia da Companhia de Jesus — um deles na barreta do antigo Rio Leripe.

Quatro vezes maior em 22 anos

Entre os censos de 2000 e 2022, a população de Rio das Ostras passou de 36.419 para 156.491 habitantes.

Mistérios, mitos e lendas

Jean de Léry em 1510? O histórico municipal reproduzido pelo IBGE cita Jean de Léry, “sapateiro da expedição de Villegagnon”, como visitante em 1510. A data não confere: a França Antártica de Villegagnon foi fundada em 1555, e Léry chegou ao Rio em 1557. A passagem de Léry pela costa é plausível, mas o ano de 1510 é erro.

A igreja dos jesuítas: a tradição atribui toda a antiga igreja aos jesuítas, mas o próprio IBGE registra que ela foi concluída por outras ordens religiosas depois de 1759. E não sobrou nada dela: o templo desabou nos anos 1950.

O nome Leripe: a tradução “lugar de ostra” é a registrada pelo município; não encontramos estudo linguístico que a detalhe.

Linha do tempo

  • c. 4.070–3.520 anos atrás Ocupação do Sambaqui da Tarioba.
  • c. 1575 Primeiros registros de navegadores na costa.
  • 20/11/1630 Martim Correia de Sá doa as terras aos jesuítas.
  • 1759 Expulsão dos jesuítas; a igreja é concluída por outras ordens.
  • 1847 D. Pedro II passa por Rio das Ostras.
  • Século XIX O arraial, também chamado Baía Formosa, prospera em torno do poço e da igreja.
  • Anos 1950 A antiga igreja desaba.
  • 01/03/1970 Criação do distrito de Rio das Ostras.
  • 10/04/1992 Lei estadual nº 1.984 cria o município.
  • 01/01/1993 Instalação do município.
  • 2000 Censo registra 36.419 habitantes.
  • 2001 Data registrada pela prefeitura para a obra em bronze da baleia com o mergulhador.
  • 2022 Censo registra 156.491 habitantes.

Conclusão

Rio das Ostras é uma cidade nova sobre um chão muito antigo. O sambaqui, os marcos jesuíticos, o poço e a figueira lembram que a história começou bem antes do petróleo. A baleia de Costa Azul virou o símbolo da cidade moderna — mas o nome do rio, herdado do tupi, continua contando de onde tudo veio.

Na próxima etapa da série, conheça a origem de Casimiro de Abreu, de onde Rio das Ostras se separou. Enquanto isso, leia a origem de Búzios, outra cidade emancipada nos anos 1990, e a de Cabo Frio. Para visitar sítios como a Tarioba, veja nosso kit para visitar ruínas e trilhas.

E você? Já tirou foto na Praça da Baleia ou visitou o Museu da Tarioba?

Perguntas frequentes

Quando Rio das Ostras se emancipou?

Pela Lei estadual nº 1.984, de 10 de abril de 1992, quando deixou de pertencer a Casimiro de Abreu. O município foi instalado em 1º de janeiro de 1993.

Qual era o nome antigo de Rio das Ostras?

Leripe ou Seripe, termo tupi traduzido como “lugar de ostra”. No século XIX, o arraial também foi chamado de Baía Formosa.

Quem fez a escultura da Praça da Baleia?

Segundo a prefeitura, a baleia-jubarte da praça é obra de Roberto de Sá e Clara Arthaud.

Qual é a população de Rio das Ostras?

O Censo 2022 do IBGE registrou 156.491 habitantes. A estimativa oficial de 2025 é de 168.455 pessoas.

Por que Rio das Ostras cresceu tanto?

Principalmente pela proximidade de Macaé e da exploração de petróleo na Bacia de Campos, além dos royalties e do turismo.

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Fontes e referências

  1. IBGE. Rio das Ostras — Histórico e formação administrativa.
  2. IBGE Cidades. História de Rio das Ostras.
  3. IBGE Cidades. Panorama de Rio das Ostras (Censo 2022, estimativa 2025, área 2025).
  4. RODRIGUES, F. et al. Holocene crustaceans from the Tarioba shell mound, Rio das Ostras. Check List, v. 12, n. 2, 2016.
  5. PUC-Rio. Estudo sobre Rio das Ostras e o crescimento ligado ao petróleo (dissertação).
  6. PREFEITURA DE RIO DAS OSTRAS. Nossa história, nossa arte — material de pesquisa.
  7. Imagens: Ministério do Turismo (MTur Destinos), via Wikimedia Commons, em domínio público.