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Como Ouro Preto nasceu da corrida do ouro

De arraiais de mineradores a capital de Minas Gerais: a origem de Vila Rica e do nome Ouro Preto.

Por admin

Publicado em 18 de outubro de 2026

Atualizado em 20 de outubro de 2026

Fotografia antiga panorâmica de Ouro Preto com a Matriz de Antônio Dias e a Igreja de São Francisco de Assis

Panorama de Ouro Preto, fotografia antiga. Acervo do Museu Paulista da USP / Wikimedia Commons (domínio público).

No fim do século XVII, notícias de ouro abundante nos rios do interior provocaram uma das maiores migrações da história colonial. Nas encostas da Serra do Ouro Preto, acampamentos improvisados de mineradores se transformaram, em poucos anos, na vila mais rica da América portuguesa.

A corrida do ouro

As expedições bandeirantes que percorreram a região no final dos anos 1600 encontraram ouro de aluvião em diversos córregos. A notícia atraiu paulistas, portugueses recém-chegados e pessoas escravizadas trazidas à força para o trabalho nas lavras. Em torno das minas surgiram arraiais — pequenos núcleos de casas, capelas e ranchos —, como os de Antônio Dias e do Ouro Preto.

A disputa pelas jazidas entre paulistas e os chamados “emboabas”, forasteiros vindos de outras partes, levou a um conflito armado entre 1707 e 1709, a Guerra dos Emboabas. Depois dela, a Coroa tratou de organizar o território e controlar a arrecadação do quinto, o imposto sobre o ouro.

Gravura de Vila Rica, atual Ouro Preto, por Johann Moritz Rugendas no século XIX
Vila Rica, gravura de Johann Moritz Rugendas, séc. XIX. Wikimedia Commons (domínio público).

A fundação de Vila Rica

Em 8 de julho de 1711, os arraiais da região foram reunidos e elevados à condição de vila. Nascia Vila Rica, que em 1720 se tornaria a capital da recém-criada Capitania de Minas Gerais. No mesmo ano, a vila foi palco de uma revolta contra as casas de fundição e a cobrança do quinto, duramente reprimida pelas autoridades.

Por que “Ouro Preto”?

O ouro encontrado na região vinha coberto por uma camada escura de óxido de ferro. Por fora parecia pedra escura; raspado, revelava o metal. O apelido do minério acabou batizando a serra, o arraial e, mais tarde, a cidade.

Ouro, arte e revolta

A riqueza do ouro financiou igrejas, chafarizes, pontes e casarões que hoje formam um dos mais importantes conjuntos do barroco nas Américas. Na segunda metade do século XVIII, artistas como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, deixaram em Vila Rica algumas de suas obras mais conhecidas, como a Igreja de São Francisco de Assis.

Fachada da Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto, Minas Gerais
Igreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto. Foto: Rodrigo Tetsuo Argenton / Wikimedia Commons (domínio público).

Com o esgotamento das lavras e o aumento da pressão fiscal, cresceu a insatisfação da elite local. Em 1789, um grupo de conspiradores planejou um levante contra a Coroa — a Inconfidência Mineira. Denunciado antes de sair do papel, o movimento terminou com prisões, degredos e a execução de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Linha do tempo

  • 1707–1709 Guerra dos Emboabas.
  • 8 jul. 1711 Os arraiais são elevados à condição de vila: nasce Vila Rica.
  • 1720 Vila Rica se torna capital da Capitania de Minas Gerais.
  • 1789 Inconfidência Mineira.
  • 20 mai. 1823 Vila Rica é elevada a cidade com o nome de Ouro Preto.
  • 1897 A capital de Minas Gerais é transferida para Belo Horizonte.
  • 1980 A UNESCO inscreve a Cidade Histórica de Ouro Preto como Patrimônio Mundial.

A cidade que parou no tempo

A transferência da capital para Belo Horizonte, em 1897, esvaziou Ouro Preto economicamente. Paradoxalmente, foi isso que ajudou a preservar seu traçado colonial: sem pressão para modernizar, a cidade manteve ladeiras, igrejas e casarios. No século XX, ela se tornaria símbolo da preservação do patrimônio no Brasil e, em 1980, foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial.

Fotografia antiga panorâmica de Ouro Preto com a Matriz de Antônio Dias e a Igreja de São Francisco de Assis
Panorama de Ouro Preto, fotografia antiga. Acervo do Museu Paulista da USP / Wikimedia Commons (domínio público).
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Fontes e referências

  1. UNESCO. Historic Town of Ouro Preto. World Heritage List.
  2. IPHAN. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
  3. Imagens: Johann Moritz Rugendas, Museu Paulista da USP e Rodrigo Tetsuo Argenton, via Wikimedia Commons.