Menos de vinte anos depois da chegada de Cabral, cartógrafos portugueses produziram uma das imagens mais impressionantes do Brasil do século XVI: uma carta cheia de aves coloridas, árvores, indígenas trabalhando e nomes de lugares ao longo da costa.
Neste artigo
Um atlas feito para impressionar
O chamado Atlas Miller foi produzido em 1519, por ordem do rei D. Manuel I de Portugal. A cartografia é atribuída a Lopo Homem e a Pedro e Jorge Reinel, nomes importantes da cartografia portuguesa da época; as ilustrações foram feitas pelo miniaturista António de Holanda.
O conjunto reúne cerca de uma dúzia de cartas, que vão do Atlântico Norte ao Oceano Índico e às Molucas. Entre elas está a folha dedicada à Terra Brasilis — o Brasil.

O que o mapa mostra
Mais do que um instrumento de navegação, a carta é uma vitrine. No interior do território aparecem indígenas cortando e carregando toras de pau-brasil, a principal riqueza explorada pelos portugueses nas primeiras décadas. Há araras e papagaios de cores vivas, macacos e uma vegetação exuberante.
Ao longo do litoral, dezenas de nomes indicam rios, cabos e baías já conhecidos pelos navegadores. O interior, ainda desconhecido para os europeus, é preenchido com cenas idealizadas, e não com informações geográficas precisas.

Leitura atenta
As cenas do mapa mostram como os europeus queriam ver o Brasil: uma terra de riquezas naturais e de mão de obra indígena disponível. É uma imagem de propaganda, e não um retrato fiel da vida dos povos que viviam aqui.

Linha do tempo
- 1500 A frota de Cabral chega ao litoral do atual sul da Bahia.
- 1519 Produção do atlas, por ordem de D. Manuel I.
- 1855 O bibliotecário Emmanuel Miller compra o atlas de um livreiro em Santarém, Portugal.
- 1897 A viúva de Miller vende o atlas à Biblioteca Nacional da França.
Por que “Miller”?
O nome não tem relação com seus autores. Em 1855, o bibliotecário francês Bénigne Emmanuel Clément Miller comprou o atlas de um livreiro em Santarém, em Portugal. Em 1897, sua viúva o vendeu à Biblioteca Nacional da França, em Paris, onde ele está até hoje.
Alguns historiadores levantam a hipótese de que o atlas teria sido um presente de D. Manuel I ao rei Francisco I da França, mas isso não é comprovado. Outro detalhe curioso: o mapa-múndi do atlas representa um oceano fechado, o que alguns estudiosos interpretam como uma tentativa de desencorajar a viagem de Fernão de Magalhães, que partiria naquele mesmo ano.
Fontes e referências
- WIKIPEDIA. Miller Atlas.
- GOOGLE ARTS & CULTURE / BnF. Terra Brasilis: the Miller Atlas.
- BIBLIOTHÈQUE NATIONALE DE FRANCE. Gallica (acervo digital).
- Imagens: Bibliothèque nationale de France, via Wikimedia Commons (domínio público).