Em novembro de 1807, com as tropas de Napoleão marchando sobre Lisboa, a rainha D. Maria I, o príncipe regente D. João e boa parte da corte portuguesa embarcaram rumo ao Brasil. Meses depois, uma cidade colonial de ruas estreitas passaria a ser a sede de um império espalhado por quatro continentes. Por que o Rio de Janeiro — e o que mudou depois disso?
A travessia de 1807
Pressionado por Napoleão a fechar seus portos à Inglaterra, Portugal ficou entre duas potências. Quando o exército francês avançou sobre o território português, a solução foi transferir a sede da monarquia para a colônia mais rica. Em 29 de novembro de 1807, a esquadra deixou Lisboa escoltada por navios britânicos.

Quantas pessoas vieram? Durante muito tempo repetiu-se o número de cerca de 15 mil, mas historiadores hoje consideram essa cifra exagerada. O certo é que vieram a família real, ministros, nobres, funcionários, criados, documentos, a biblioteca real e o tesouro da Coroa.
Primeiro, Salvador
Depois de cerca de 54 dias de viagem, parte da esquadra chegou a Salvador em 22 de janeiro de 1808. Foi ali, em 28 de janeiro, que D. João assinou a abertura dos portos às nações amigas — na prática, o fim do monopólio comercial português sobre o Brasil e um benefício imediato para os ingleses.
Por que o Rio de Janeiro?
Salvador havia sido a primeira capital, mas desde 1763 a sede do governo colonial estava no Rio de Janeiro. A cidade tinha um porto abrigado e estratégico, era a saída natural do ouro de Minas Gerais e já concentrava a administração da colônia. Em 7 de março de 1808 a esquadra entrou na Baía de Guanabara, e no dia 8 a família real desembarcou.

Você sabia?
Para acomodar a corte, casas de moradores foram requisitadas e marcadas com as iniciais “P.R.”, de Príncipe Regente. A população logo deu outro sentido à sigla: “Ponha-se na Rua”.
Uma cidade transformada
Em poucos anos, o Rio ganhou instituições que nunca havia tido. A colônia, que até então não podia ter tipografia, passou a ter imprensa oficial. Vieram bancos, escolas militares, um jardim de aclimatação de plantas e uma biblioteca que daria origem à Biblioteca Nacional.
- 13 mai. 1808 Criação da Imprensa Régia.
- 13 jun. 1808 Criação do Real Horto, origem do Jardim Botânico.
- 12 out. 1808 Fundação do Banco do Brasil.
- 1810 Real Biblioteca e Real Academia Militar.
- 1815 O Brasil é elevado a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
- 1816 Criação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, ligada à chegada de artistas franceses.
- 26 abr. 1821 D. João VI retorna a Portugal.

O legado
A presença da corte mudou a escala do Rio: a população cresceu, o comércio se multiplicou e a cidade passou a funcionar como capital de fato de um império. Quando D. João VI voltou a Portugal em 1821, deixou o filho Pedro como regente. Pouco mais de um ano depois, em 1822, o Brasil declararia a independência — e o Rio continuaria capital, agora de um país.
Fontes e referências
- TODA MATÉRIA. A vinda da família real para o Brasil.
- Biblioteca Nacional. Acervo e história institucional.
- Imagens: Museu Nacional dos Coches, Museu da Cidade do Rio de Janeiro e Jean-Baptiste Debret, via Wikimedia Commons.