Home » Por que o Rio de Janeiro se tornou a sede do Império português

Por que o Rio de Janeiro se tornou a sede do Império português

A chegada da corte em 1808 e as transformações que redesenharam a cidade em poucos anos.

Por admin

Publicado em 19 de outubro de 2026

Atualizado em 20 de outubro de 2026

Pintura do embarque da família real portuguesa no cais de Belém, em Lisboa, em 1807

Embarque da Família Real para o Brasil, pintura atribuída a Nicolas-Louis-Albert Delerive, séc. XIX. Museu Nacional dos Coches / Wikimedia Commons (domínio público).

Em novembro de 1807, com as tropas de Napoleão marchando sobre Lisboa, a rainha D. Maria I, o príncipe regente D. João e boa parte da corte portuguesa embarcaram rumo ao Brasil. Meses depois, uma cidade colonial de ruas estreitas passaria a ser a sede de um império espalhado por quatro continentes. Por que o Rio de Janeiro — e o que mudou depois disso?

A travessia de 1807

Pressionado por Napoleão a fechar seus portos à Inglaterra, Portugal ficou entre duas potências. Quando o exército francês avançou sobre o território português, a solução foi transferir a sede da monarquia para a colônia mais rica. Em 29 de novembro de 1807, a esquadra deixou Lisboa escoltada por navios britânicos.

Pintura do embarque da família real portuguesa no cais de Belém, em Lisboa, em 1807
Embarque da Família Real para o Brasil, pintura atribuída a Nicolas-Louis-Albert Delerive, séc. XIX. Museu Nacional dos Coches / Wikimedia Commons (domínio público).

Quantas pessoas vieram? Durante muito tempo repetiu-se o número de cerca de 15 mil, mas historiadores hoje consideram essa cifra exagerada. O certo é que vieram a família real, ministros, nobres, funcionários, criados, documentos, a biblioteca real e o tesouro da Coroa.

Primeiro, Salvador

Depois de cerca de 54 dias de viagem, parte da esquadra chegou a Salvador em 22 de janeiro de 1808. Foi ali, em 28 de janeiro, que D. João assinou a abertura dos portos às nações amigas — na prática, o fim do monopólio comercial português sobre o Brasil e um benefício imediato para os ingleses.

Por que o Rio de Janeiro?

Salvador havia sido a primeira capital, mas desde 1763 a sede do governo colonial estava no Rio de Janeiro. A cidade tinha um porto abrigado e estratégico, era a saída natural do ouro de Minas Gerais e já concentrava a administração da colônia. Em 7 de março de 1808 a esquadra entrou na Baía de Guanabara, e no dia 8 a família real desembarcou.

Pintura de Armando Vianna mostrando a chegada do príncipe regente D. João à Igreja do Rosário, no Rio
Chegada de D. João à Igreja do Rosário, Armando Vianna, 1937 — uma reconstituição artística do século XX. Museu da Cidade do Rio de Janeiro / Wikimedia Commons (CC0).

Você sabia?

Para acomodar a corte, casas de moradores foram requisitadas e marcadas com as iniciais “P.R.”, de Príncipe Regente. A população logo deu outro sentido à sigla: “Ponha-se na Rua”.

Uma cidade transformada

Em poucos anos, o Rio ganhou instituições que nunca havia tido. A colônia, que até então não podia ter tipografia, passou a ter imprensa oficial. Vieram bancos, escolas militares, um jardim de aclimatação de plantas e uma biblioteca que daria origem à Biblioteca Nacional.

  • 13 mai. 1808 Criação da Imprensa Régia.
  • 13 jun. 1808 Criação do Real Horto, origem do Jardim Botânico.
  • 12 out. 1808 Fundação do Banco do Brasil.
  • 1810 Real Biblioteca e Real Academia Militar.
  • 1815 O Brasil é elevado a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
  • 1816 Criação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, ligada à chegada de artistas franceses.
  • 26 abr. 1821 D. João VI retorna a Portugal.
Vista panorâmica do Rio de Janeiro no início do século XIX, por Jean-Baptiste Debret
Vista do Rio de Janeiro, Jean-Baptiste Debret, artista que chegou ao Rio em 1816. Wikimedia Commons (domínio público).

O legado

A presença da corte mudou a escala do Rio: a população cresceu, o comércio se multiplicou e a cidade passou a funcionar como capital de fato de um império. Quando D. João VI voltou a Portugal em 1821, deixou o filho Pedro como regente. Pouco mais de um ano depois, em 1822, o Brasil declararia a independência — e o Rio continuaria capital, agora de um país.

Compartilhe esta história:WhatsAppFacebookXAssista no YouTube

Fontes e referências

  1. TODA MATÉRIA. A vinda da família real para o Brasil.
  2. Biblioteca Nacional. Acervo e história institucional.
  3. Imagens: Museu Nacional dos Coches, Museu da Cidade do Rio de Janeiro e Jean-Baptiste Debret, via Wikimedia Commons.